Aos 8 anos ganhou o primeiro videogame, um atari. Jogar lhe dava um prazer imenso. E ficava fácilmente várias e várias horas na frente da tv jogando...
Várias e várias horas mesmo, a ponto de deixar de fazer as tarefinhas do colégio ou comer. Os país rapidamente perceberam o problema e começaram a regular bem de perto o tempo de utilização do videogame.
Ele se viciava fácil. O garoto era precoce.
Mas a questão é que o mundo está aí e quando se nasce para o vício... é difícil escapar. Acaba-se por trocar um pelo outro e fica "tudo bem".
Aos 12 ele cheirou benzina com os coleguinhas do colégio depois da aula.... e assim foi.
Depois de um tempo, a coisa engroçou porque aos 14 ele arrumou uma namorada de 19 (precoce mesmo). E ela comprova garrafão de vinho Carreteiro (5 litros) pra eles beberem nas festinhas. (Não preciso dizer que junto com isso, maconha era farofa e o rapaz pegava pesado). Junto com tanto vinho e outras coisas, perdeu vários neurônios (e a virgindade). Mas não perdeu o gosto por vícios.
Aos 19 sofreu um acidente de carro muito grave (bêbado pra variar) E foi parar na UTI. Sentia dores fortíssimas pois tinha quebrado vários ossos e como se não fosse o suficiente, tinha hemorragia interna dos orgãos... mas, você sabe, como diz o ditado: "Vazo ruim não quebra fácil" sobreviveu (que bom que sobreviveu!) porque na UTI os médicos (tão sábios são os médicos!) constataram que para suportar as dores o melhor era aplicar Nubain diaramente na veia do rapaz (e mais de uma vez ao dia).
Ah, você não sabe o que é Nubain? Bem, para não alongar muito, digamos que é o substituto legal da Heroína...
Mal começava a raiar o dia e lá vinha a enfermeira (santa enfermeira!) com a seringa e dentro dela o paraíso...
Só um beliscãozinho e... primeiro era um calor gostoso que começava no braço e daí ia para as costas (pela altura das costelas) depois esse calor ia seguindo pela espinha até chegar no pescoço e ao chegar no pescoço passava para o centro da nuca e entrava cérebro a dentro... só mais algumas frações de segundo e derrepente todo o hospital se transformava numa banheira gigante... uma banheira cheia de água morninha e ele ficava, hora flutuando sobre essa água, hora ele afundava nela e começava a nadar gostosamente em baixo dágua sem precisar respirar (era mágico!).
Pouco importava o que falavam com ele nessas horas e na realidade nada mais importava porque era como se ele estivesse em plenitude com o universo... ele gostava de tocar a mão no rosto nessas horas... as sensações físicas eram incríveis, e se existisse algo como fazer amor consigo mesmo, certamente era aquilo (e tudo isso estando com 90% do corpo imobilizado em cima de uma cama de hospital!). Tinha vontade de nunca mais ficar bom, só pra viver daquele jeito (é, eu sei, isso é louco, mas viciados são assim mesmo. Loucos).
Bom, mas como já foi dito, vazo ruim não quebra fácil. Ele finalmente se recuperou e seguiu a vida sempre em busca de um novo barato.
No carnaval desse ano ele foi pro "Enquanto isso na Sala de Justiça" e conheceu uma menina porquem se apaixonou.
Terminaram a noite na casa dele, passaram o dia na cama, transaram e ficaram simplesmente comendo chocolate, deitados e se alimentando um do outro... ele se sentia estranhamente pleno, nada mais existia fora daquele quarto, e percebeu que estavam juntos numa banheira de água bem morna e gostosa, nadavam juntos de baixo dágua (sem precisar respirar!) ou simplesmente ficavam flutuando no teto... as sensações físicas eram incríveis... e ele não queria mais saber o que era fazer amor consigo mesmo, porque aquilo era muito melhor.
O dia inteiro foi assim e o dia seguinte também.... passava os dias esperando chegar a noite para encontrar com ela... viciados são assim mesmo, loucos.
No carnaval, numa festa a fantasia, ele tinha encontrado sua Super heroína e estranhamente,
essa foi a sua cura.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
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Muito massa!
ResponderExcluirAcho consigo entender um pouco do que ele sentia... acho que estou viciada, só me falta uma certa dose de loucura... pode ser questão de tempo. :P
Lú.